DIRECTOR: JORGE LEMOS PEIXOTO  |  FUNDADOR: JOAQUIM LETRIA

Gilmário Vemba no 5 para a Meia-Noite

Gilmário Vemba é um jovem angolano com muito talento, como humorista, que tem a particularidade de ser também um bom repentista e observador. Arriscou aceitar apresentar o ‘5 Para a Meia-noite’, na RTP1.

O Nicolau Breyner ensinou-me uma vez que “o grande talento é saber administrar o próprio talento!”. Nunca mais esqueci essa verdade. E quando soube que Gilmário iria apresentar o ‘late show’ das quintas-feiras tive algum receio sobre o resultado final.

Em televisão há dois tipos de programas: os que têm personalidade feita e os que precisam de uma personalidade. Os dois nunca são coincidentes.

Quando um programa tem êxito durante anos com um determinado formato, que é construído pelo elenco e com um determinado espírito, não sobrevive com um apresentador ou apresentadora que não consegue entrar nesse espírito, sem imitar os anteriores. O ‘5 Para a Meia-Noite’ é desse tipo de programas. Por outro lado, não basta mudar o cenário para o programa ser diferente, ainda por cima mantendo o título, o que determinava logo que o público estava à espera de uma produção idêntica às anteriores.

Para quem andou naqueles mundos, não foi difícil perceber que o Gilmário Vemba acusou, no primeiro programa, uma boa camada de nervos. Se assim não fosse, teria sido irresponsável; mas se se deixasse dominar por eles, teríamos um programa muito fraco que atraiçoaria os seus pergaminhos.

Já no segundo soltou-se um pouco mais, aproximando-se da sua verdadeira personalidade e o programa subiu alguns pontos. Mas receei que não fosse muito mais longe. O espírito da Filomena Cautela andava por ali.

Melhorando as piadas da introdução, ir até à rua ou ter um repórter divertido, está no bom caminho, embora a meta ainda esteja ao longe.

Não sei se ele trabalha sozinho ou se tem uma equipa de colaboradores. Julgo que será este o caso. É com essa equipa que Gilmário Vemba tem que ser mais exigente na construção das introduções. E demora muito tempo até a equipa estar afinada. Já nas entrevistas, a melhoria foi evidente e serão o conteúdo mais forte do programa, quando ele se libertar das perguntas já escritas e ficar livre para perguntar o que lhe apetecer no momento. Claro que poderá ter os cartões com perguntas escritas, mas para serem usadas em momentos mais difíceis apenas como SOS.

Depois de o ver no ‘Taskmaster’, onde foi uma das razões do êxito do programa, como espectador exijo mais do seu talento que é muito, mas que me parece estar espartilhado. Não se intimide com a responsabilidade. E por não ter aí o Palmeirim nem o Markl.

Duas notas: a rubrica com os irmãos é fraca. E sugiro, ao operador de som, que aproxime as gargalhadas mais dos aplausos. Como está, dá a impressão que há um público no estúdio que aplaude e outro que está na rua. Há que encontrar o equilíbrio e manter coerente o ambiente do estúdio durante todo o programa.

Uma última sugestão não amarre o programa à obrigação de ter introdução, duas entrevistas e uma música. Será bom variar e criar algumas rubricas que surpreendam os espectadores.

 

 

Empate técnico

Até quando?

Apesar das publicitadas transformações nos programas diários de Informação, a TVI, nesse domínio, não correspondeu em nada às expectativas anunciadas e agravou a situação quando mexeu nas equipas de pivôs. O ‘TVI Jornal’ e o ressuscitado ‘Jornal Nacional’ não têm ajudado nada as apostas nas audiências. Os ‘Jornais’ da SIC parecem imbatíveis.

Mas neste campeonato, a TVI está de parabéns e pode considerar-se que existe um empate técnico com a SIC. E é esta que se deve acautelar, porque a sua liderança de 56 meses está por um fio. O ‘Big Brother’ raramente é incomodado pelos ‘Casados no Paraíso’, mas está num duelo de altos e baixos, mais altos que baixos, com o ‘Hell’s Kitchen Famosos’.

Nas novelas, a SIC aguarda que ‘Papel Principal’ se imponha, o que não é fácil.

Vivemos, portanto, dias interessantes de concorrência, entre a SIC e a TVI. A RTP é doutro campeonato e lá vai fazendo os dois dígitos, com uma programação que tem feito boas apostas na ficção nacional. Mas as telenovelas são aditivas e de mais fácil compreensão.

Os canais de informação do cabo mantêm as suas posições relativas, isto é, com a liderança da CNN Portugal seguindo-se a SIC Notícias e a RTP 3.

A SIC Notícias alterou, no dia 9 do mês passado, para melhor, o seu grafismo e entrou no digital. No dia 16 escrevi: “Se não alterarem a forma de apresentar as notícias e não melhorarem a grelha, as posições mantêm-se. Ah! E reverem a lista de comentadores. Felizmente têm o Sebastião Bugalho, uma mais-valia. Mas não chega.”

Mantenho.

Sr. Televisão

Carlos Cruz