DIRECTOR: JORGE LEMOS PEIXOTO  |  FUNDADOR: JOAQUIM LETRIA

A nova arma do poder nas mãos de quem?

Julgo que a maior parte de nós já ouviu o termo Inteligência Artificial. Mas não tenho a certeza se todos os que ouviram essa expressão têm a compreensão absoluta do seu significado e da sua aplicação. Eu sou daqueles que sempre apreciaram os desenvolvimentos tecnológicos e a sua utilidade nos mais variados campos da actividade humana. Graças às novas tecnologias muito progresso foi feito e, em muitas situações extremas, muitas vidas humanas se salvaram.

Sabemos como é o homem. Nada faz parar a tentativa de satisfazer a sua curiosidade, as suas investigações e, por causa delas, as suas invenções.

Pois sendo apreciador das novas tecnologias, confesso que me sinto intranquilo pelas consequências que podem advir da mais moderna construção do conhecimento humano. Refiro-me à inteligência artificial muito conhecida pelas iniciais da expressão em inglês, AI. Em português uso IA.

À primeira vista pode ser um auxiliar do Homem para ir construindo um futuro melhor e até com menos sacrifícios. Mas já não digo o mesmo à segunda vista. Desde a enorme ameaça do aumento incontrolável do desemprego até se constituir numa base de dados que podem ser sinistros em mãos de seres anti-sociais ou mesmo criminosos, a inteligência artificial é uma enorme incógnita, que promete grandes benefícios para a humanidade, mas que pode transformar-se no seu maior inimigo.

Exemplos de perigos:

  • um desenho algorítmico tendencioso pode provocar a rejeição pela sociedade;
  • ameaça à privacidade porque as suas tecnologias geralmente recolhem e analisam enormes quantidades de dados pessoais levantando problemas de segurança;
  • concentração de poder: o seu desenvolvimento pode ser concentrado nas mãos de um pequeno grupo de grandes organizações e governos limitando as suas aplicações;
  • falsificação de informações: com texto, imagem e voz podem criar-se falsas verdades;
  • criação de armas autónomas que podem funcionar sem controlo humano;
  • dependência da IA levando à diminuição do uso da inteligência e do espírito criativo.

Tudo isto e bastante mais, pode ser visto no programa ‘60 minutos’, da CBS, com responsáveis pela IA na Google, transmitido na terça-feira, dia 29 de Agosto, na SIC Notícias.

 

 

Um quinteto de lixo

Também no Canal 5 (SIC Notícias), mas no dia seguinte, quarta-feira, dia 30, pudemos assistir a um documentário da série ‘Toda a Verdade’, com o título ‘As Raízes da Tirania’, que nos mostra uma boa colecção de ditadores, autênticos criminosos, que ensombraram a história do século passado. Mussolini, Hitler, Stalin, Mao Tsé-Tung e ainda Saddam Hussein. Franco fica, para já, no banco dos suplentes.

Historiadores, um perito em totalitarismo, um jornalista e até um sinólogo dão-nos os retratos ilustrados com imagens desses personagens responsáveis por milhões de mortes.

Há um traço comum entre eles: todos tiveram uma infância violenta com predominância de agressões físicas dos pais, mas sendo as mães uma doçura. Os estudos indicam que Mussolini sofria de um complexo de inferioridade que ele sublimou e decidiu levar a vida pública com superioridade. Mao Tsé-Tung foi o filho-homem desejado pelo casal, porque não ter pelo menos um rapaz não é bem visto na China. Teve logo um estatuto especial, o pai deu-lhe alguma educação para pô-lo logo a trabalhar, batia-lhe com frequência e dizia que não o amava de todo. Por outro lado, Mao, numa entrevista dada ao jornalista americano Edgar Snow, declarou: “Eu odiava o meu pai”

Mussolini era de uma família pobre, mas reinventou a sua infância, afirmando que batia nos seus colegas, desde os quatro anos até ao liceu. Quando já estava no poder, omitiu todos os detalhes negativos do seu passado, apagou as suas origens pobres, disse que descendia duma família aristocrata e fez correcções a toda a sua vida.

Estes são apenas dois do muito que há para ver neste excelente programa onde fomos mais esclarecidos sobre alguns pormenores das vidas destes quatro ditadores.

O que me impressionou mais no que vi, e para o qual não tenho resposta, foi tentar perceber como é que estes exemplares, com as infâncias que tiveram, dos sectores sociais de onde vieram, conseguiram convencer milhões dos seus concidadãos e como é que estes se deixaram hipnotizar por tais personagens. Como é que um homem que sofre do complexo de inferioridade assume uma personalidade que o leva a tratar o seu povo com superioridade. Como é que Estaline com uma educação modesta conquista a liderança, por tantos anos, da União Soviética, e ainda por cima, com o braço esquerdo paralisado.

Uma possível explicação pode ser uma frase do programa da SIC Notícias: “As mentiras são o pilar dos regimes totalitários. A realidade é sempre distorcida até se enquadrar no elogio do ditador”.
Nas chamadas democracias não há mentiras, pois não? Ainda bem!

Sr. Televisão

Carlos Cruz