A terceira Travessia

A terceira Travessia

Janeiro 26, 2019 Não Por Tal & Qual
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Almada e Oeiras querem túnel no Tejo

Inês de Medeiros e Isaltino Morais pressionam Pedro Nuno Santos, ministro das infra-estruturas, a criar a terceira travessia do Tejo. O governante responde: “Temos de ter esse debate”

Há mais de 30 anos que está no papel. Todos, desde governantes, passando pelos presidentes de Câmaras de Almada, Lisboa e Oeiras, estão de acordo na necessidade de uma nova via de atravessamento do Tejo. Agora os autarcas de Almada e de Oeiras pressionam o ministro Pedro Nuno Santos em prol da construção do túnel rodoferroviário entre a Trafaria e Algés. 

A travessia, a existir, pode atingir uma população de milhão e meio de pessoas e ajudar a construir novos negócios e criar mais empregos.

Inês Medeiros, autarca de Almada, e Isaltino Morais, edil em Oeiras, consideram que, por túnel ou passagem superior, a construção desta travessia é “de extrema importância para toda a Área Metropolitana de Lisboa”. Ao Tal&Qual Isaltino Morais afirma mesmo que a travessia é importante “quer a nível da mobilidade, quer da melhor distribuição do tecido empresarial na região, entre Oeiras e a outra margem”.

O vice-presidente da Associação Promotora da Mobilidade Entre as Duas Margens do Tejo e, também, presidente da União de Freguesias de Algés, Linda-a-Velha, Cruz Quebrada e Dafundo, Rui Teixeira, está por detrás de uma petição pública apoiada pelos autarcas de Almada e Oeiras. Rui Teixeira revela que a solução que reúne maior apoio e consenso é o da construção de um túnel imerso, ligando a A33 à CRIL, no corredor Algés – Trafaria, aliviando o intenso tráfego na ponte 25 de Abril, descongestionando também outras vias estruturantes da AML, como a Ponte Vasco da Gama, a CRIL, a CREL e a Autoestrada 5 (A5).

tunel capa do projeto
Projecto para o túnel

A solução tem mérito, diz o engenheiro Luís Machado, que participou em vários estudos para a localização de uma terceira travessia do Tejo e que representou o Estado português nas obras da Ponte Vasco da Gama. O perito também defende “que a terceira travessia do Tejo deve ser entre a Trafaria e Algés, obrigando os carros a contornarem Lisboa, criando novas centralidades de tráfego”, diz ao Tal&Qual. Para Luís Machado, o ideal será “a construção de uma ponte, a quota da 25 de Abril (aos 70 metros de altura)”, alertando para os perigos associados ao túnel. 

Aliás, as Câmaras de Almada e Oeiras têm pressionado o Governo, nomeadamente o ministro das Infra-estruturas e o do Ambiente para a necessidade da terceira travessia. 

“Muito se fala na cidade das duas margens, mas ela nunca existirá no seu potencial sem que se estabeleçam as condições de mobilidade entre o sul e o norte, constituindo um dos maiores fatores para o aumento da competitividade da Área Metropolitana de Lisboa – no contexto das áreas metropolitanas europeias”, defende Isaltino Morais ao nosso jornal.

De acordo com algumas fontes, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, mostrou-se disponível, em tempos, para dialogar, mas, entretanto, “fechou-se em copas” e não quer saber das recomendações dos vários estudos que provam a vantagem desta travessia, cujo investimento pode rondar os 700 milhões de euros, totalmente financiado pela União Europeia.

Já o ministro Pedro Nuno Santos, das Infraestruturas, garante que a terceira travessia do Tejo, principalmente por via ferroviária, é um assunto importante: “Sem dúvida esse é um debate que temos de ter”, disse o governante já este ano.

Há 30 anos em discussão…

“Esta ideia não é nova. Tem, pelo menos, 30 anos. Na verdade, a CRIL, na margem norte do Tejo, só ficará completa quando ligar a Almada. Para já, temos só meia CRIL», afiança Rui Teixeira, sublinhando que “nesta fase aquilo que se pretende é colocar na agenda política esta necessidade e levar a discussão ao Governo”, com quem já existem contactos.
Rui Teixeira recorda: “Só as Uniões de Freguesias de Algés, Linda-a-Velha, Cruz Quebrada e Dafundo e a da Charneca de Caparica e Sobreda tem perto de 100 mil residentes, o que pode facilitar a abertura de novos nichos de mercado, tanto em Algés como na Charneca”. 

Miguel Lourenço, autarca da União de Freguesias da Charneca de Caparica e Sobreda e, também, presidente da Associação, lembra que, “as alternativas efetivamente disponíveis, neste momento, são a travessia ferroviária e a travessia fluvial”, salientando que a travessia ferroviária da Ponte 25 de Abril (assegurada pela Fertagus), transporta anualmente 19 milhões de passageiros, retirando, de facto, muitos veículos do tabuleiro da ponte. 

Em defesa da sua dama a Associação apresentou um pré-estudo que aponta para a coexistência entre o transporte individual e o transporte público, através da instalação de uma terceira célula que suportaria um metro ligeiro, fazendo a ligação entre o Metro Sul do Tejo, na Universidade do Monte da Caparica e a linha de Cascais.

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