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Sábias palavras

Antes de mais queria desejar-vos Boas Férias, uma vez que já trabalharam durante um ano completo, já têm direito. Depois desejar que Joaquim Letria regresse depressa e bem recuperado; por fim sublinhar umas palavras sábias de José Paulo Fafe, no n.º 56 de 29 de Junho.

Dizia ele: “Em Portugal, hoje, não se debate… Em Portugal, agora, ninguém ouve ninguém…insulta-se. É esse hoje o debate político que existe no nosso país, onde impera o tribalismo ideológico e a tentação de impor o pensamento único, onde sobram os ‘vigilantes’ e faltam os que ainda se atrevem a pensar”. Se alguém ainda tinha dúvidas da veracidade e atualidade destas sábias palavras, essas dúvidas desfizeram-se com a birra do CHEGA na Assembleia da República. Bem hajam pela vossa verticalidade.

José Vasconcelos, via e-mail

Parelha

Parabéns pelo vosso regresso. Estamos novamente em brasa não só pelas sardinhas e/ou bacalhau como também por todo um ambiente muito quente.

Numa intervenção com repórter no local ouvi que o fogo tinha sido contido pela pronta intervenção duma parelha… Olhei e pensei como teria sido possível. O terreno ardia por tudo o que era possível para além que era de todo irregular o que dificultaria a utilização da dita parelha… Até que ela apareceu, não a galope, mas a voar. Claro, a parelha eram dois aviões próprios para o combate ao incêndio. Enfim estamos sempre a aprender.

Carlos Ferreira, Alcochete

Um aeroporto polémico

Vivemos um tempo de incerteza em que a projeção da nossa imagem acaba por ser positiva, nem que seja pelas polémicas contraditórias, ainda que muitas destas sirvam apenas para os seus autores se fazerem ouvir. No caso do responsável pelas Infraestruturas transparece a ideia de uma descoordenação governamental. (…)

Pelo que nos é dado a conhecer, as declarações de um tal responsável sobre o novo aeroporto não reúnem consenso nas hostes governamentais, como se a localização do novo aeroporto, cuja decisão final tarda, pudesse ser tomada a qualquer custo, sem que fossem avaliados os prós e os contras da mesma.

Não nos podemos dar ao luxo de investir numa estrutura provisória para depois a mesma ficar sem o devido aproveitamento, pelo que só se entende que determinadas pessoas ainda se mantenham na equipa governamental pelas amizades, e conveniências e não pela competência, e onde as polémicas que têm vindo a público desde a legislatura anterior, apenas reforçam o desgaste de um governo com uma imagem desacreditada.

Américo Lourenço, Sines

Lições amargas

Numa leitura atenta do nosso jornal dei comigo a retirar algumas lições amargas provocadas pela guerra da Ucrânia. A primeira é a ‘overdose’ de propaganda irracional que motiva o conflito e a consequente paranoia das proibições de actuação dos artistas, cineastas, atletas russos, que certamente seriam uma ponte de diálogo – e deste modo se transformam em rostos inimigos.

A segunda é o plano inclinado das sanções, que molestam mais os países ocidentais do que propriamente a Rússia ou a China.

A terceira é a completa irrelevância da Europa nos destinos desta guerra. (…) Mais uma triste lição é o débito de sangue que a guerra tem provocado sem que ninguém se preocupe em falar num cessar-fogo. Fico com a estranha sensação de que sou o único europeu preocupado, mas impotente, em conseguir a paz. Este ‘folhetim’ terá mais episódios (infelizmente)…

José Vasconcelos, via e-mail

Ranking das escolas

É tão giro o ranking das escolas mais o trabalhão que aquilo deve dar a fazer. Ali não se separam as coisas. É como a misturadora que eu uso quando faço a sopa lá em casa. Mando para dentro da misturadora a abóbora, a cenoura o nabo e o feijão tudo já cozido e o que sai é um puré que sabe a qualquer coisa que eu não sei definir.

Já no meu tempo não era bem assim. Havia a escola das meninas e a escola dos meninos. Havia os que só tinham uma ardósia e um ponteiro para escrever e que, para apagar, cuspiam na ardósia e apagavam com a manga da camisa e os que tinham um caderninho de papel, escreviam com um lápis e apagavam com uma borracha.

Safavam-se aqueles porque naquela época não havia ranking. Se houvesse, provavelmente, estariam a ser discriminados. Mas não eram.

É verdade. Esqueci-me de dizer que nasci e andei na escola da minha aldeia, a Maceira, que, por acaso, este ano foi a primeira das escolas públicas no tal de ranking.

José Rebelo, Caparica

Viagens

Como se explica que as viagens de longa distância de qualquer país europeu para Portugal tenham um valor muito inferior ao que é praticado dentro do nosso território?

Ryanair, EasyJet apresentam preços diminutos em comparação com os praticados pela TAP ou até pela… CP.

Rosa Lourenço, via e-mail

Lumumba

Há muitas colheres de pau do exterior, ou dos de sempre, mexendo no panelão da África. Daí procede o esquecimento estratégico de ocorrências que a partir de 1961, no Congo belga, foram derrubando as mal fundadas esperanças do desgraçado continente. No passado dia 29 de Junho, finalmente, receberam sepultura na República do Congo os restos mortais de Patrice Lumumba. Sessenta e um anos depois do seu assassinato… é obra. A captura de Lumumba pelos recrutas dos de sempre aconteceu a 14 de Fevereiro de 1961, assistia ele ao funeral de sua filha. Mas, a 17 de Setembro do mesmo ano, os de sempre (que o diga o The Guardian), urdiram em pleno conflito no Congo belga o derrube do avião que transportava o então secretário-geral das Nações Unidas, Dag Hammarskjold, sueco, de quem John Kennedy era admirador. Entre os implicados na eliminação de Lumumba figurava Mobutu, o ditador genocida e autor de um infindável latrocínio na hoje designada República Democrática (!) do Congo. Da sua glorificação pelos de sempre encarregar-se-ia Mário Soares, que, em visita de Estado, ao descer do avião no aeroporto de Kinshasa, abraçou com efusão o criminoso ditador congolês. As provas de empatia seguir-se-iam a bordo do luxuoso iate do autocrata africano ancorado a meio do rio Congo, com Mobutu e Soares em pose de segredos, falando baixinho. Um país livre e igualitário, em África, só mesmo a homens como Lumumba interessaria. No dia do seu assassinato, Mao Tsé Tung celebrava em Pequim, na praça de Tiananmen, o Primeiro de Maio. O orador convidado era Ernesto Che Guevara e entre a multidão achava-se um ‘estagiário’ da guerra de guerrilhas, o bissau-guineense ‘Nino’ Vieira, um libertador africano sem aposentos de invejar na lusofonia que foge a sete pés dos ruídos do passado.

Luís Alberto Ferreira, via e-mail