DIRECTOR: JORGE LEMOS PEIXOTO  |  FUNDADOR: JOAQUIM LETRIA

Há muito que vários ministros vêm prometendo – tanto que até já se tornou normal, prometer – taxar as garrafas e latas com uma tara para que sejam recuperadas para reciclagem. Bem entendo e apoio.

Aqui no meu bairro, por todos os cantos, o que eu mais vejo são as pequenas garrafas de cerveja abandonadas por tudo quanto é poiso, muitas mesmo no chão e algumas até perigosamente partidas.

Curiosamente, não me apercebi de que estas garrafinhas fossem também castigadas com tara, neste Orçamento, para poderem ser recicladas. Não sou adivinho, mas tenho cá um pressentimento que há por aí algum lóbi que protege estas pequenas garrafinhas de serem também taxadas.

Há muito, muito tempo, quando eu era ‘puto’ até os pirolitos tinham tara. Quando a minha mãe me dava uns tostões para comprar um pirolito, eu tinha negociado com ela que a tara era para eu depois comprar tremoços. Dramaticamente, tinha de escolher: ou comprava os tremoços ou prescindia deles para ficar com o berlinde. Nesse tempo não havia garrafas abandonadas. Mas quando havia, alguém as apanhava para ir receber a tara.